Nesta terça-feira (27), aproximadamente 7 milhões de israelenses estão indo às urnas para votar em uma eleição que ocorre pela primeira vez após o ataque do Hamas, ocorrido em 7 de outubro de 2023. O pleito é crucial, pois pode significar a saída do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder.
Os principais concorrentes incluem três partidos liderados por figuras consideradas de linha-dura em questões de segurança e defesa. Além de Netanyahu, que comanda o partido Likud, estão na disputa Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e líder do partido Yashar, e Naftali Bennett, do partido Juntos.
Perfil dos candidatos e suas propostas
Todos os candidatos favoritos compartilham a posição de não apoiar a criação de um Estado palestino e enfatizam a necessidade de desarmar o Hamas. Contudo, há discordâncias entre eles sobre a expansão de assentamentos na Cisjordânia.
Gadi Eisenkot, que deixou o governo Netanyahu com críticas, acusa o primeiro-ministro de ter ignorado alertas sobre o ataque do Hamas e de não ter priorizado o resgate de reféns. Por sua vez, Netanyahu refuta essas alegações.
Naftali Bennett, que já foi primeiro-ministro de Israel, também se destaca na corrida, embora sua postura militarista seja semelhante à de Netanyahu. De acordo com a professora de relações internacionais Karina Calandrin, os três candidatos têm uma visão de segurança bastante alinhada, sendo todos classificados como “falcões”.
Desafios e perspectivas para o futuro
A pesquisa de opinião sugere que, apesar da situação atual, a possibilidade de um Estado palestino perdeu suporte na sociedade israelense desde o ataque de outubro. Calandrin afirma que é improvável que um candidato que defenda essa ideia conquiste muitos votos.
Além disso, as políticas de assentamento na Cisjordânia tendem a ser um ponto de divergência entre os partidos. Enquanto os ministros de Netanyahu apoiam a expansão de assentamentos, seus adversários podem buscar frear essa prática, o que poderia reduzir a violência na região.
A formação de um novo governo será um desafio, pois o sistema parlamentar israelense exige que os partidos mais votados formem uma coalizão para governar. O Knesset, o parlamento israelense, possui 120 cadeiras, e uma maioria precisa ser alcançada para a criação de um novo gabinete.
Calandrin ressalta que tanto Eisenkot quanto Bennett poderão precisar do apoio de partidos árabes, embora todos tenham afirmado que não desejam formar alianças com eles. Isso pode dificultar a formação de uma coalizão, a menos que haja uma mudança de estratégia.
Impactos do ataque do Hamas
O ataque do Hamas em outubro resultou na morte de cerca de 1,2 mil pessoas e na captura de aproximadamente 200 reféns. Em resposta, Israel lançou uma operação militar em Gaza, causando destruição em larga escala e levando à morte de mais de 75 mil pessoas, conforme relatado por organizações internacionais que consideram a ação um genocídio.
Ministros do governo de Netanyahu têm defendido a emigração de palestinos e a colonização de suas terras, enquanto o país se envolveu em conflitos adicionais, como na Líbano e na Síria. A política de assentamentos ilegais também ganhou força nos últimos anos.


