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segunda-feira, 2 de novembro de 2026
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Cidades

Manifestação no Rio relembra vítimas da Operação Contenção um ano após tragédia

Movimentos sociais promovem ato na Penha para lembrar as 122 vítimas da operação policial.

Manifestação no Rio relembra vítimas da Operação Contenção um ano após tragédia
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Últimas notícias

Nesta quarta-feira (28), a Praça São Lucas, localizada na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, se transforma em um espaço de memória e resistência. Movimentos sociais, familiares das vítimas e moradores da região realizam uma manifestação em homenagem às pessoas que perderam suas vidas na Operação Contenção, ocorrida em outubro de 2025, que resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais civis e militares.

Organizada pela Frente Penha, a atividade visa unir o clamor por justiça com o apoio às famílias afetadas pela violência do Estado. Os organizadores destacam a importância de manter viva a memória das vítimas para evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer. Evelin Dias, assistente social e integrante da Frente Penha, ressalta que a comunidade, frequentemente marginalizada, merece atenção e políticas públicas que priorizem a educação e saúde, especialmente para mulheres, crianças e jovens negros.

Um ano de luto e luta

A manifestação não apenas relembra as vítimas, mas também busca conscientizar a sociedade sobre a realidade cotidiana de diversas favelas fluminenses. Um relatório da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial revela que, entre 2020 e 2025, a Baixada Fluminense registrou 5.298 operações policiais, resultando em quase 300 mortes.

O ato começa com um almoço comunitário e, a partir das 14h, se intensifica com uma caminhada pelas principais vias do bairro e a distribuição de cestas básicas para as famílias locais. Serão realizados também depoimentos de coletivos como Mães de Maio e Mães de Manguinhos, além de apresentações artísticas que reforçam a cultura local e a união da comunidade.

Investigações em andamento

Enquanto a manifestação ocorre, as investigações sobre a Operação Contenção continuam sob a supervisão do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Até o momento, 12 denúncias foram apresentadas contra 28 policiais militares, com acusações que incluem roubo e violação de domicílio. O Gaesp, grupo especializado do MPRJ, está coletando provas e depoimentos para esclarecer as circunstâncias das mortes.

As investigações envolvem mais de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais e 122 laudos periciais. O MPRJ está empenhado em garantir que as apurações sejam rigorosas e que as famílias das vítimas recebam apoio psicológico e orientações necessárias.

Reflexão e resistência

O ato de hoje representa não apenas uma homenagem, mas uma chamada à ação. Os organizadores enfatizam que a luta pela justiça e pelos direitos humanos precisa ser constante. A violência policial e suas consequências continuam a ser um tema crítico no Rio de Janeiro, e eventos como este são fundamentais para fomentar a solidariedade e mobilizar a sociedade em busca de mudanças.

A programação do evento inclui uma roda de capoeira, jongo e uma área de recreação para crianças, com brinquedos infláveis. O encerramento será marcado pela soltura de balões em memória aos mortos e apresentações musicais, simbolizando a vida e a esperança na comunidade.

O que se sabe até agora

  • A manifestação na Penha relembra as 122 vítimas da Operação Contenção, ocorrida em 2025.
  • O MPRJ investiga as circunstâncias das mortes e já apresentou 12 denúncias contra policiais.
  • O ato inclui atividades culturais e comunitárias para fortalecer a memória e a resistência.
  • A luta por justiça e direitos humanos é um tema central na mobilização da comunidade.

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