Após as eleições presidenciais realizadas no último domingo, indígenas da etnia Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, estão enfrentando uma série de ameaças e atos de violência, incluindo tentativas de assassinato e até ameaças de envenenamento da água que abastece suas comunidades.
Informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) revelam que, desde o sábado, 24 de outubro, ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas estão sob investigação. O coordenador da entidade na região, Matias Benno Rempel, informou que os relatos de intimidação foram frequentes durante o período eleitoral, com caminhonetes circulando pelas terras indígenas e ocorrências de agressões para intimidar os eleitores.
Rempel ressaltou que a violência contra a comunidade Guarani Kaiowá não é um fenômeno isolado, mas uma realidade constante. “O que ocorreu nesta semana, com as tentativas de assassinato, é algo que se repete constantemente com a população indígena. A violência que está sendo considerada como pós-eleitoral é apenas uma parte de um quadro mais amplo de milícias que atuam na região”, afirmou.
A Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) solicitaram ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal investigações sobre os acontecimentos. Um dos casos em questão envolve um atropelamento intencional de um indígena na cidade de Coronel Sapucaia, localizada na fronteira com o Paraguai.
Outro aspecto alarmante das denúncias é a ameaça de envenenamento da água utilizada pela comunidade, em retaliação ao resultado das eleições. Um áudio, atribuído a um funcionário da prefeitura de Tacuru, revela uma conversa em que se sugere a contaminação da água como forma de retaliar os indígenas que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva. O homem na gravação diz: “ponha veneno na água, vamos matar essas praga na água”.
De acordo com Ricardo Terena, coordenador do departamento jurídico da Apib, as comunidades indígenas na área enfrentam dificuldades para acessar água potável, dependendo de caminhões-pipa para suprir suas necessidades. Após a divulgação do áudio, muitos decidiram não consumir mais a água disponível, temendo pela sua segurança.
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul deu um prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça a veracidade dos áudios, identifique o autor das ameaças e informe quais ações estão sendo tomadas para proteger a comunidade.
O que se sabe até agora
- Indígenas Guarani Kaiowá denunciam violência e ameaças após as eleições presidenciais.
- Cinco casos de assassinatos de indígenas estão sendo investigados desde 24 de outubro.
- Um áudio revela ameaças de envenenamento da água da comunidade.
- A Funai e o MPI solicitaram investigações ao Ministério Público Federal.


