Após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, líderes da extrema direita europeia começaram a se distanciar de Donald Trump. Essa movimentação é surpreendente, visto que muitos desses políticos haviam celebrado a relação com o ex-presidente americano após sua reeleição em 2024.
Entre os principais nomes, Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional da França, exemplificou essa nova postura. Ele destacou que o segundo mandato de Trump foi marcado por uma política externa menos isolacionista e mencionou que a intervenção dos EUA no Irã teve sérias repercussões econômicas globais, sem, no entanto, responsabilizar diretamente Trump por essas ações.
Críticas à política externa de Trump
Na Alemanha, Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha (AfD), também criticou a política externa de Trump, afirmando que a promessa de não seguir uma linha intervencionista foi quebrada, o que acabou prejudicando os republicanos nas eleições. Ela se referia aos impactos da guerra no Irã.
Matteo Salvini, líder da Liga na Itália, atribuiu a derrota dos republicanos às guerras e ao aumento do custo de vida, que afeta diretamente as famílias. Salvini expressou esperança de que a votação nos EUA leve a um fim dos conflitos.
Roberto Vannacci, do partido Futuro Nacional, também fez críticas a Trump, apontando que sua incapacidade de resolver conflitos internacionais, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, e sua postura em relação ao Irã, contribuíram para o aumento dos preços de energia e para a insatisfação da classe média nos EUA.
Avaliações políticas e consequências
Para o analista Mujtaba Rahman, a crescente impopularidade de Trump pode transformar a relação antes benéfica em um ônus eleitoral para os políticos de extrema direita na Europa. Segundo ele, esses líderes buscam a ideologia do trumpismo sem se envolver nas controvérsias que cercam a presidência de Trump.
Dan Dungaciu, do partido de extrema direita romeno, minimizou as consequências da derrota dos republicanos, afirmando que Trump não perdeu sua relevância política e que continuará a ter um papel significativo na política americana.
Enquanto isso, Santiago Abascal, do partido Vox na Espanha, deixou claro seu distanciamento de Trump, afirmando que não se importava com a situação nos EUA. Rupert Lowe, do Restore Britain, também criticou a decisão de Trump de atacar o Irã, chamando-a de erro.
Por outro lado, Nigel Farage, do Reform UK, reconheceu a derrota dos republicanos como significativa e alertou sobre possíveis desentendimentos entre Trump e seu vice-presidente, JD Vance, sugerindo que muitos jovens que votaram em Trump em 2024 optaram pelos democratas nas eleições recentes.
O que se sabe até agora
- Líderes da extrema direita europeia se distanciam de Trump após derrotas nos EUA.
- Críticas à política externa de Trump são comuns entre esses políticos.
- Analistas apontam que a impopularidade de Trump pode afetar suas alianças na Europa.


