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segunda-feira, 2 de novembro de 2026
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Saúde

Câncer de mama: desigualdade racial impacta mortalidade entre mulheres no Brasil

Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais que brancas por câncer de mama, aponta Inca.

Câncer de mama: desigualdade racial impacta mortalidade entre mulheres no Brasil
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Saúde

Um novo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que mulheres negras apresentam uma taxa de mortalidade 3,8 vezes maior em comparação às mulheres brancas no que diz respeito ao câncer de mama. A pesquisa, intitulada Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama, faz parte da série Disparidades Raciais e Câncer de Mama: um Olhar para a Saúde das Mulheres Negras.

De acordo com Renata Maciel, coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, embora a incidência da doença seja maior entre as mulheres brancas, as negras têm uma taxa de mortalidade alarmante. “Esse dado pode estar relacionado ao acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento no serviço de saúde”, explica Renata.

Fatores que contribuem para a mortalidade

O estudo aponta que as mulheres negras frequentemente enfrentam um subtipo de câncer de mama mais agressivo, conhecido como triplo negativo. Além disso, as evidências indicam que o rastreamento assintomático é realizado com menor frequência entre este grupo. Na faixa etária de 50 a 69 anos, as mulheres brancas são mais propensas a realizar exames preventivos.

Roberto Gil, diretor-geral do Inca, enfatiza que a pesquisa evidencia a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade no acesso aos serviços de saúde. “O estudo mostra que a mulher negra pode ter a doença biologicamente mais agressiva e menor acesso aos serviços de saúde, fazendo com que o diagnóstico seja mais tardio”, afirma.

Consumo de álcool e saúde das mulheres negras

Gil também observa que o aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre mulheres negras pode estar associado ao câncer de mama. “O consumo de bebida alcoólica está relacionado ao câncer de mama”, ressalta. Essa informação destaca a importância de intervenções voltadas à saúde e prevenção.

Desigualdades e recomendações

As desigualdades socioeconômicas e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde são fatores que contribuem para as disparidades raciais observadas. O documento recomenda a criação de políticas que fortaleçam a prevenção e a promoção da saúde, visando reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e o consumo de álcool, além de incentivar hábitos saudáveis, como a prática de atividade física e aleitamento materno.

A história de Solange Barbosa de Freitas, uma paciente de 57 anos, ilustra a importância do diagnóstico precoce. Ela descobriu sua condição durante uma campanha de exame de rotina em Outubro Rosa, em 2019, mesmo sem apresentar sintomas. Solange passou por três cirurgias e se tornou a primeira da família a enfrentar o câncer de mama.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil, com a maior parte dos diagnósticos ocorrendo a partir dos 50 anos. Estima-se que aproximadamente 17% dos casos podem ser prevenidos por meio de hábitos de vida saudáveis.

O lançamento da publicação aconteceu no evento Outubro Rosa, no Inca, no Rio de Janeiro, e também coincidi com o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

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