A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, na última terça-feira (29), uma resolução que condena o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, um tema que se arrasta por mais de 60 anos. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, celebrou a aprovação, mesmo com o apoio mais baixo recebido pelo país caribenho nos últimos 30 anos.
Com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções, a votação deste ano representa um declínio significativo no apoio internacional a Cuba. Nos anos anteriores, a resolução já havia alcançado mais de 190 votos favoráveis. Segundo Palomo, a redução no apoio se deve a uma campanha do governo Trump, que incentivou aliados a rejeitar a proposta.
Entre os países que votaram contra a resolução, destacam-se Argentina, Colômbia, Costa Rica e outros, que historicamente costumavam apoiar Cuba. O embaixador considerou a votação uma “grande vitória do povo cubano”, citando que, apesar das pressões, muitos países ainda mantêm a solidariedade com a ilha.
Custo humano do bloqueio
Palomo também enfatizou o impacto devastador do bloqueio sobre a população cubana, mencionando que mais de 1,5 mil crianças morreram devido à falta de acesso a medicamentos e combustíveis essenciais para manter incubadoras. Ele lamentou que a mortalidade infantil na ilha dobrou, passando de 4,4 para 9,9 mortes por mil nascimentos entre 2025 e 2026, um reflexo direto das restrições econômicas.
“Não são apenas números, são vidas”, declarou o embaixador, ao criticar a política de Washington que classifica como ilegal segundo o direito internacional. Ele argumentou que o bloqueio não é apenas um problema de Cuba, mas uma questão que afeta todo o mundo, alertando que as ações dos EUA podem, no futuro, atingir outros países.
Pressões e sanções
Com a reeleição de Trump, Cuba tem enfrentado um endurecimento das sanções econômicas, incluindo medidas severas que restringem a importação de petróleo, levando a longos apagões em Havana e dificultando a produção de alimentos e serviços básicos. Palomo destacou que, devido ao bloqueio energético, a ilha chegou a ficar três meses sem receber petróleo, o que comprometeu ainda mais a sua economia.
As novas sanções também têm afetado a indústria de turismo, vital para a economia cubana, com a saída de empresas internacionais e a interrupção de voos. O embaixador mencionou que mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba estão parados em portos ao redor do mundo, devido ao medo de represálias norte-americanas.
Respostas cubanas e futuro incerto
Em resposta às crescentes pressões, Cuba está implementando reformas econômicas para tentar aliviar os efeitos do bloqueio. Palomo afirmou que, embora ainda seja cedo para medir os resultados, existem indícios de que as mudanças estão criando um ambiente mais favorável para o aumento da produção.
Ele mencionou a transição para energia solar, com apoio da China, e o foco na produção agrícola como formas de resistência. “Nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA mude sua política genocida contra Cuba”, concluiu o embaixador.
O que se sabe até agora
- Resolução da ONU contra o bloqueio a Cuba foi aprovada com 130 votos favoráveis.
- Embaixador destaca o custo humano das sanções, com aumento da mortalidade infantil.
- Cuba enfrenta novo endurecimento das sanções sob governo Trump.
- Reformas econômicas estão em andamento para tentar contornar os efeitos do bloqueio.


