O relato do influenciador Felca sobre sua batalha contra a fobia social reacendeu o debate sobre a diferença entre timidez e essa condição. De acordo com a psiquiatra Letícia Kiffer, a principal distinção reside no impacto que o medo social tem na vida do indivíduo.
“Não é só uma timidez. A pessoa tem a vontade de socializar, de crescer profissionalmente, de participar de eventos, mas o medo é tão intenso que limita a pessoa de viver tudo isso”, afirma Kiffer.
A fobia social se caracteriza por um medo intenso e persistente de ser observada ou criticada em situações sociais. Enquanto a timidez é uma característica de personalidade, a fobia social pode causar paralisia emocional e levar a decisões que restringem a vida social, como evitar eventos ou interações.
Sintomas e limitações
Além do medo, a fobia social pode provocar sintomas físicos, como tremores, sudorese excessiva, aceleração dos batimentos cardíacos e sensação de náusea. Kiffer destaca que, na timidez, um desconforto pode ser sentido, mas a pessoa ainda assim consegue agir em determinadas situações.
Experiências de bullying na infância e adolescência também podem contribuir para o desenvolvimento da fobia social. Pessoas que passaram por humilhações podem começar a temer novas críticas, levando à evitação de interações sociais, o que pode resultar em isolamento.
Impactos na vida cotidiana
No ambiente de trabalho, a fobia social pode manifestar-se como um medo de falar em reuniões ou apresentar ideias, limitando oportunidades profissionais. Nos relacionamentos, indivíduos afetados podem evitar conversas e encontros significativos, prejudicando suas conexões pessoais.
Tratamento e apoio
Felizmente, a fobia social é tratável. A psicoterapia é uma opção eficaz, pois ajuda a identificar gatilhos e desenvolver estratégias para enfrentar gradualmente as situações que são evitadas. A medicação também pode ser considerada por psiquiatras, dependendo da gravidade dos sintomas e das necessidades individuais.
A psiquiatra recomenda que a ajuda profissional seja buscada assim que o medo começar a impactar negativamente a rotina, relacionamentos, estudos ou trabalho. O apoio de familiares e amigos é essencial nesse processo: ouvir sem julgamentos, acolher o sofrimento e incentivar a busca por tratamento são atitudes que podem fazer a diferença.
“A pessoa precisa ser acolhida, precisa ter seus sentimentos validados”, conclui Kiffer.
O suporte deve promover a recuperação da autonomia da pessoa e não reforçar o isolamento, ajudando-a a reintegrar-se socialmente.


