Na última sexta-feira, 23 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, protocolou um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscando a liberação de seus dados bancários e telefônicos. A ação ocorre em um momento em que o candidato à presidência pressiona o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a tornar públicos os gastos realizados com o cartão corporativo da Presidência e as informações sobre visitas ao seu gabinete.
A iniciativa do senador Flávio é consequência de um acordo feito entre as campanhas dos dois candidatos, que visa a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O tema ganhou destaque durante um debate na TV Bandeirantes, no dia 18 de setembro, onde Lula desafiou Flávio a divulgar suas informações financeiras.
O acordo foi formalizado na quinta-feira, 22, e envolve não apenas os candidatos, mas também seus familiares e empresas associadas. Na petição apresentada ao TSE, a defesa de Flávio argumenta que a transparência sobre os gastos públicos é essencial para um debate eleitoral saudável. O senador citou uma auditoria do Tribunal de Contas da União que indicou que a maioria dos gastos do cartão corporativo da Presidência, entre janeiro de 2023 e abril de 2025, foi classificada como sigilosa ou reservada.
Demandas de Flávio Bolsonaro
Além de questionar os gastos do cartão corporativo, Flávio Bolsonaro também solicitou a divulgação dos registros das visitas ao gabinete presidencial. Segundo ele, essas informações deveriam ser acessíveis ao público. O senador também pediu detalhes sobre reuniões e relações empresariais de pessoas próximas a Lula.
Essas reivindicações surgem em um contexto de crescente pressão da oposição, especialmente em relação a uma reunião de Lula com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a conexão entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Análise de documentos e esclarecimentos do TSE
Na véspera do pedido, Flávio convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato, para examinar os documentos apresentados pela campanha de Lula. Dallagnol, que hoje é senador pelo partido Novo do Paraná, comprometeu-se a verificar a integridade das informações fiscais e bancárias disponíveis.
O vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, já havia esclarecido que os candidatos têm a liberdade de autorizar a divulgação de seus dados sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. Ele ressaltou que cabe a cada candidato decidir sobre a publicação de informações sigilosas, lembrando que a divulgação voluntária não substitui investigações formais realizadas por autoridades competentes.


