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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Câmara aprova Estatuto da Pessoa Intersexo com novas diretrizes e proteção

Proposta garante direitos, proíbe cirurgias não consentidas e estabelece registro civil adequado.

Câmara aprova Estatuto da Pessoa Intersexo com novas diretrizes e proteção
Foto: Reprodução / Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (4), o Estatuto da Pessoa Intersexo, uma legislação que estabelece direitos e diretrizes para a população intersexo. O projeto, conhecido como Lei Jacob Cristopher, foi relatado pela deputada Erika Kokay (PT-DF) e modifica o Projeto de Lei 1318/25, de autoria da deputada Duda Salabert (Psol-MG).

O Estatuto busca oferecer um marco de proteção, proibindo cirurgias não consentidas em crianças e assegurando garantias no registro civil, além de ampliar o rastreio genético na saúde pública e direitos trabalhistas.

Definição e proteção dos intersexos

De acordo com a proposta, a pessoa intersexo é aquela que apresenta variações nas características sexuais e corporais desde o nascimento, incluindo aspectos cromossômicos, gonadais, hormonais ou anatômicos que não se encaixam nas definições tradicionais de masculino ou feminino.

Uma das principais preocupações da relatora, Erika Kokay, é a realização de cirurgias mutilantes em bebês e crianças, consideradas por muitas entidades de direitos humanos como uma forma de violência institucional. O texto proíbe intervenções médicas e cirúrgicas invasivas sem o consentimento da pessoa intersexo, exceto em situações de urgência, definidas em um protocolo a ser elaborado pelo Poder Executivo.

Direitos e garantias estabelecidos

O projeto prevê a emissão de uma Declaração de Nascido Vivo (DNV) que deve registrar a condição de intersexo, permitindo que os responsáveis escolham entre os gêneros masculino, feminino, intersexo ou ignorado. Além disso, a proposta recomenda a adoção de prenome neutro e assegura o sigilo da condição intersexo, evitando constrangimentos sociais.

Os direitos trabalhistas também são contemplados, permitindo que trabalhadores intersexos faltem até quatro dias por ano para realizar exames e consultas médicas. Em relação aos esportes, a proposta garante que atletas intersexos possam competir na categoria que corresponde ao seu gênero autodeclarado, sem a imposição de cirurgias.

Medidas de reparação e próximos passos

O Estatuto estabelece ainda medidas de reparação para adultos que foram submetidos a intervenções cirúrgicas involuntárias na infância, incluindo indenizações e contínuo apoio psicológico e social. A proposta também altera a Lei de Refugiados, permitindo que a perseguição motivada por características corporais seja um motivo para concessão de asilo.

Após a aprovação na comissão, o projeto seguirá para análise nas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário da Câmara. Para se tornar lei, precisará da aprovação da Câmara e do Senado.

O que se sabe até agora

  • O Estatuto da Pessoa Intersexo foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
  • A proposta proíbe cirurgias não consentidas em crianças intersexos.
  • Direitos trabalhistas e condições para registro civil foram estabelecidos.
  • O projeto ainda precisa passar por outras comissões antes de ser votado no Plenário.

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