Na última quarta-feira (4), o programa ‘Antes que Aconteça’ premiou diversas iniciativas que atuam no enfrentamento à violência de gênero em todo o Brasil. Dentre os projetos reconhecidos, destaca-se a atuação de Cleocimara Reis Gomes, coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, que recebeu uma menção honrosa pela sua contribuição na conscientização de mulheres indígenas sobre seus direitos.
Cleocimara, que vive na comunidade de Cartucho, localizada a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, trabalha com 23 povos indígenas em 100 comunidades nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. Ela enfatiza que a violência contra a mulher é um problema sério, frequentemente invisibilizado devido à distância das comunidades em relação aos centros urbanos.
Conscientização e empoderamento
O projeto de Cleocimara visa sensibilizar mulheres sobre a importância de reconhecer e denunciar diferentes formas de violência, como física, sexual, psicológica e patrimonial. Segundo ela, muitas mulheres indígenas não têm clareza sobre seus direitos e vivem em situações de violência sem saber como agir. “O projeto busca multiplicar a ideia de que a violência não faz parte da cultura indígena”, afirmou.
Além disso, Cleocimara mencionou a necessidade de mais recursos e equipamentos públicos para fortalecer as ações de prevenção contra a violência. Ela também destacou a importância de envolver homens na luta contra a violência de gênero, um pedido já feito por várias lideranças femininas nas comunidades.
Outras iniciativas premiadas
Outro projeto que se destacou na cerimônia foi o da Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix, na Bahia, liderado por Cátia Chagas. Este projeto, que atua na categoria “Justiça que acolhe mulheres”, oferece apoio a aproximadamente 600 mulheres, muitas delas mães solteiras, proporcionando atendimentos médicos, psicológicos e capacitação profissional.
A luta das comunidades quilombolas também foi reconhecida com o projeto Dandara, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Essa iniciativa atende cerca de 500 mulheres quilombolas, oferecendo cursos e escuta cidadã. A presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, Ana Beatriz Bernardes Nunes, destacou a vulnerabilidade das mulheres quilombolas, que são as principais gestoras dos territórios e enfrentam ameaças constantes.
Financiamento e apoio
Os projetos premiados receberam financiamentos que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil, com o objetivo de fortalecer as práticas de enfrentamento à violência contra a mulher. A cerimônia foi marcada pela presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que ressaltou a relevância dessas iniciativas para a sociedade.
O que se sabe até agora
- O programa ‘Antes que Aconteça’ premiou iniciativas contra a violência de gênero.
- Cleocimara Reis Gomes recebeu menção honrosa por seu projeto com mulheres indígenas.
- O evento contou com a presença da ministra das Mulheres, que enfatizou a importância do reconhecimento das práticas premiadas.
- Os projetos premiados receberam financiamentos que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil.




