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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Educação

Cursinhos populares ajudam alunos em situação de vulnerabilidade a se preparar para o Enem

Histórias de superação e resiliência marcam a preparação de candidatos para o exame.

Cursinhos populares ajudam alunos em situação de vulnerabilidade a se preparar para o Enem
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Educação

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproxima e, com ele, histórias de superação e determinação de alunos que buscam uma nova chance na educação. Cursinhos populares têm se destacado como uma alternativa acessível para aqueles que enfrentam barreiras socioeconômicas.

Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, é um exemplo inspirador. Carioca, ele se mudou para Brasília há 16 anos e passou seis deles em situação de rua. Hoje, ele se prepara no cursinho popular Jovem de Expressão, na Ceilândia, com o objetivo de ingressar no curso de psicologia da Universidade de Brasília (UnB). “Quando eu era mais novo, deixei de estudar. Mas gosto de estudar. Em 2020, fiz a prova e tirei 640 pontos na redação”, conta Raimundo.

Cursinhos comunitários como alternativa

O Jovem de Expressão, com 17 anos de história, é um dos 1.535 cursinhos que compõem a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). A iniciativa atende mais de 58 mil estudantes, priorizando pessoas negras, indígenas, quilombolas e de baixa renda. Esses cursinhos são fundamentais para aqueles que não têm condições de pagar por uma preparação privada.

Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias, 41 anos, também encontrou no cursinho uma nova oportunidade. Depois de 20 anos longe da escola, ela decidiu retornar aos estudos por incentivo da filha. “Quero fazer nutrição. Fiz o Enem no ano passado, mas não tirei a nota que queria. Este ano, estou muito empolgada”, afirma Márcia.

Outro aluno, Gilmara Pereira Braga, de 47 anos, sonha em estudar psicologia e trabalhar com educação especial. “O cursinho me oferece um conhecimento amplo muito importante”, diz Gilmara, que busca capacitação para ajudar crianças com necessidades especiais.

Impactos do investimento em educação

Os cursinhos populares recebem apoio financeiro do Ministério da Educação (MEC), que pode chegar a R$ 163,2 mil por unidade selecionada. Esse recurso é destinado ao pagamento de professores, coordenadores e para a compra de materiais. Rodrigo da Silva Soares, coordenador pedagógico do Jovem de Expressão, destaca a importância desse suporte: “É fundamental para a continuidade do nosso trabalho, que é voluntário, mas envolve custos”.

A educadora Maria Paula Cândida Reis, apoiadora pedagógica do cursinho, ressalta que a diversidade de idades e histórias dos alunos enriquece o aprendizado. “Nosso cursinho não é focado apenas no conteúdo, mas também na troca de experiências e saberes”, explica.

Saúde mental e apoio emocional

O cursinho também oferece suporte psicológico. A psicóloga Yasmin Moreira auxilia os alunos a lidarem com a ansiedade e a pressão antes das provas. “A saúde mental é essencial, especialmente para a juventude periférica que busca acesso a novas oportunidades”, afirma Yasmin.

O programa também inclui auxílio-permanência mensal de R$ 200 para estudantes matriculados, ajudando a cobrir despesas enquanto se dedicam aos estudos. Victória Santos, de 16 anos, sonha em ser professora e artista e está animada com a possibilidade de ingressar no curso de artes cênicas na UnB.

O que se sabe até agora

  • O Enem 2026 contará com 13.821 candidatos acima de 60 anos.
  • Cursinhos populares atendem mais de 58 mil estudantes em situação de vulnerabilidade.
  • O Jovem de Expressão é um dos 1.535 cursinhos da Rede Nacional de Cursinhos Populares.
  • O MEC oferece suporte financeiro e auxílio-permanência para os alunos.

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