O Brasil enfrenta um dilema educacional que não pode ser mais disfarçado sob promessas de campanha e disputas políticas. A formação de jovens, prestes a entrar no mercado de trabalho e a assumir responsabilidades, é uma questão central para o futuro da nação. É preocupante que, segundo os dados do Pisa 2022, 73% dos estudantes brasileiros com 15 anos não tenham alcançado o nível básico em matemática, enquanto 50% estão na mesma situação em relação à leitura.
Essa situação não é apenas um reflexo de dificuldades individuais, mas um indicativo de falhas sistêmicas na educação. A falta de domínio em habilidades essenciais como leitura e matemática compromete as oportunidades de muitos jovens. A pergunta que se impõe é: onde estavam os governantes responsáveis pela educação durante esse período?
O papel dos políticos na educação
Os políticos têm a obrigação de prestar contas sobre suas ações e resultados na área educacional. O Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o Brasil entre 2003 e 2016 e voltou ao poder em 2023, é um dos partidos que deve responder por sua gestão na educação. No entanto, essa responsabilidade não é exclusiva de um único partido; todos os governantes, em diferentes esferas, têm um papel a desempenhar na melhoria da educação.
A fiscalização das políticas públicas é crucial. É necessário garantir que os recursos destinados à educação sejam aplicados corretamente, que os professores tenham o suporte necessário e que os alunos realmente aprendam. A responsabilidade pública não se limita à matrícula de estudantes ou à divulgação de programas; é preciso apresentar resultados concretos.
Educação e autonomia política
Outro ponto importante é a relação entre educação e autonomia política. Um cidadão com dificuldades em interpretar textos e números pode ter mais dificuldades em avaliar promessas eleitorais e analisar gastos públicos. A educação é uma ferramenta que amplia a capacidade de raciocínio crítico e de tomada de decisão consciente.
Portanto, é fundamental que a discussão sobre educação não seja transformada em uma disputa ideológica. O foco deve estar nas políticas públicas que garantam a cada criança e jovem a possibilidade de aprender e desenvolver habilidades necessárias para o futuro.
Responsabilidades compartilhadas
O Poder Executivo deve estabelecer metas claras de aprendizagem e monitorar o desempenho dos estudantes. Governos estaduais e municipais precisam aprimorar a gestão das escolas, conectando a formação educacional às exigências do mercado de trabalho. Além disso, as famílias têm um papel crucial, incentivando a leitura e o aprendizado.
A Constituição Federal estabelece que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família. Diante das mudanças no mercado de trabalho, impulsionadas pela inteligência artificial e novas tecnologias, é indispensável que o Brasil enfrente suas deficiências educacionais para evitar aumentar as desigualdades sociais.
Os cidadãos também têm um papel ativo. É essencial que os eleitores questionem candidatos sobre suas propostas e metas para a educação, além de fiscalizarem as ações após as eleições. O compromisso com a formação educacional não deve ser uma simples promessa, mas um compromisso real com o futuro do país.
O Brasil precisa decidir se continuará tratando a educação como um mero discurso eleitoral ou se a colocará no centro de um projeto de desenvolvimento sério. O maior patrimônio de uma nação reside em sua capacidade de educar e preparar as próximas gerações para os desafios do futuro.


