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segunda-feira, 2 de novembro de 2026
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Política

Advogado critica falta de transporte e vê ameaça à democracia nas eleições

Guilherme Gonçalves pede punições e alerta sobre riscos à legitimidade eleitoral.

Advogado critica falta de transporte e vê ameaça à democracia nas eleições
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Justiça

A falta de transporte público para os eleitores durante o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro de 2026, está sendo interpretada como uma tentativa de sabotagem ao processo democrático. Essa é a opinião do advogado e professor de direito eleitoral Guilherme Gonçalves, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Política (ABRADEP). Em entrevista à Agência Brasil, ele enfatizou a necessidade de responsabilização das autoridades encarregadas de garantir a frota de ônibus disponível nas eleições.

Gonçalves destacou que a disponibilização de transporte deve seguir a programação de um dia útil, conforme estipulado pela legislação eleitoral vigente há várias décadas. “Todo mundo está cansado de saber que, todo ano de eleição, a frota tem que ser colocada em dia útil”, afirmou, referindo-se às diversas denúncias de problemas no transporte de eleitores em várias cidades.

Problemas em Salvador e São Paulo

Em Salvador, a situação foi especialmente crítica, com centenas de ônibus permanecendo nas garagens. O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Pablo Souza, teve a prisão decretada pela Justiça, mas estava fora do país. A cidade é administrada pelo prefeito Bruno Reis, que é aliado do candidato Flávio Bolsonaro.

O advogado criticou as justificativas que tentaram minimizar a falta de transporte, classificando-as como inaceitáveis. Segundo ele, razões operacionais, como a programação do serviço ou a presença de adesivos nos veículos, não são desculpas válidas. Gonçalves argumentou que a redução deliberada da oferta de transporte poderia ser considerada um crime eleitoral grave, e defendeu que prefeitos e outros responsáveis sejam investigados e punidos de maneira exemplar.

Demora do TSE e riscos à legitimidade

Além disso, Gonçalves expressou sua insatisfação com a lentidão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em responder às questões relacionadas ao transporte. Ele afirmou que a Justiça Eleitoral deveria ter tomado uma decisão imediata durante a tarde, quando já circulavam notícias sobre a falta de transporte. “O TSE demorou demais a dar uma solução. Tinha que dizer às 16h: prorroga ou não prorroga, e ponto final”, criticou.

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação até as 19h, foi considerada tardia por Gonçalves, pois muitas seções já haviam encerrado os trabalhos. Ele também apontou uma falha grave na atuação da Justiça Eleitoral, que possui o poder de agir de ofício sem que seja necessário ser provocada.

Apelo por ação e transparência

O advogado sugeriu que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) poderia ser criada para investigar essa possível sabotagem ao processo eleitoral. Gonçalves é membro da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e afirmou que a entidade está cobrando uma manifestação das autoridades do Judiciário para trazer clareza à população. Ele alertou que a falta de comando e transparência nesse momento crítico pode intensificar a polarização política e pediu uma resposta firme das instituições para garantir a confiança no processo democrático.

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