O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fez um alerta nesta quinta-feira, 22, sobre a volta de práticas fiscais que lembram as manobras do governo de Dilma Rousseff. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Nardes revelou que os gastos fora do Orçamento federal já somam R$ 326 bilhões, sugerindo um quadro de instabilidade financeira mais grave do que o observado há dez anos.
Segundo o ministro, essa prática de retirar despesas da contabilidade oficial prejudica a credibilidade do Brasil no mercado internacional. Ele ressaltou que essa conduta pode dificultar a atração de investimentos estrangeiros e comprometer o desenvolvimento da economia nacional. “Está colapsando a economia nacional. Está praticamente inviabilizando o país em nível internacional de buscar investidores”, afirmou Nardes.
Preocupações com o sistema previdenciário
Uma das principais preocupações expressas por Nardes envolve a saúde financeira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele mencionou um déficit que ultrapassa R$ 404 bilhões e fez previsões sombrias sobre a capacidade de honrar os benefícios dos trabalhadores brasileiros. “Como está, não haverá aposentadoria, porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e que dirá futuramente”, alertou.
Comparação com o passado
O ministro se lembrou de sua atuação como relator do processo que culminou na rejeição das contas de 2014, um evento central que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Naquela ocasião, foram identificados R$ 50 bilhões em gastos sem a devida autorização do Congresso Nacional. Nardes afirmou que a manipulação das contas, ocorrida no passado, está retornando. Ele definiu a atual situação como um processo de desorçamentação, caracterizado por “gastar por fora”, que agrava a situação econômica do país.
O ministro também destacou que a falta de controle fiscal anteriormente resultou em consequências severas, como perdas significativas no Produto Interno Bruto (PIB) e danos a fundos de pensão, como a Petros e o Postalis. Nardes lembrou de sua decisão em 2015, quando foi relator das chamadas pedaladas fiscais, e comparou a situação atual com as irregularidades do passado.
A importância do rigor fiscal
Encerrando suas declarações, Nardes enfatizou que, durante a gestão que levou ao impeachment de Dilma, houve uma transgressão das regras fiscais e um desrespeito ao Congresso Nacional. Ele ressaltou o contexto de recessão que o Brasil enfrentou naquela época, o que resultou em uma perda de confiança dos investidores. Nardes, que integra o TCU desde 2005 e já presidiu a Corte de Contas entre 2013 e 2014, reafirmou a importância de seguir rigorosamente as normas fiscais e o impacto direto que essas decisões têm sobre o futuro da previdência e a estabilidade econômica do país.


