Um relatório recente indica que o Brasil pode registrar até 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. Os dados foram apresentados durante um webinário sobre a preparação para a temporada de dengue, realizado em 6 de novembro de 2026, por instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getulio Vargas (FGV).
O estudo, elaborado por 130 especialistas de oito países para o Ministério da Saúde, sugere que a situação poderá ser semelhante às temporadas de 2025 e 2026, mesmo com a expectativa de um super El Niño no verão. Em 2025, o país já havia registrado aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis de dengue.
Projeções e metodologia
As projeções são parte do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, que reúne uma rede de pesquisadores para estimar a evolução da dengue no Brasil. Este ano, o desafio contou com a participação de 27 equipes. O modelo de previsão, que inclui 22 abordagens diferentes, tende a ser mais preciso devido à colaboração internacional.
Segundo Flávio C. Coelho, pesquisador da FGV, o desafio evoluiu de um pequeno conjunto de equipes para uma comunidade global que compartilha dados para gerar previsões úteis para gestores de saúde pública.
Expectativas para 2027
A estimativa de 860 mil casos prováveis apresenta uma margem de incerteza de 80%, variando entre 560 mil e 1,6 milhão de casos. O pico de casos deve ocorrer em abril de 2027, com cerca de 40 mil registros esperados nesse mês. Embora a previsão não indique uma epidemia como a de 2024, a dengue continua a ser uma preocupação constante, exigindo vigilância e estratégias de prevenção.
A pesquisadora Claudia Codeço, da Fiocruz, enfatiza a importância de organizar a rede de saúde e intensificar as ações preventivas, dado que a dengue é uma doença endêmica no Brasil.
Impactos do El Niño e situações regionais
O relatório também menciona que três modelos de previsão consideram variáveis climáticas, apresentando diferenças em suas estimativas. O impacto do fenômeno El Niño é considerado incerto, o que implica na necessidade de um acompanhamento contínuo da situação.
Os estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais devem observar um aumento nos casos prováveis de dengue. Em contrapartida, outras regiões podem ter cenários similares ou até inferiores em comparação com a temporada anterior.
Chikungunya também preocupa
Além da dengue, os pesquisadores projetam mais de 90 mil casos prováveis de Chikungunya no Brasil. Comparando com anos anteriores, em 2024-2025 foram registrados 127 mil casos, enquanto em 2025-2026 foram 76 mil. A previsão indica um aumento na Região Nordeste, especialmente em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí.
A prevenção continua sendo fundamental para controlar a disseminação das doenças. As recomendações incluem eliminar focos de água parada e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de febre ou dor no corpo.
O que se sabe até agora
- Projeção de até 860 mil casos prováveis de dengue no Brasil em 2027.
- Estudo elaborado por 130 especialistas de oito países.
- A dengue continua a exigir atenção, mesmo sem previsão de epidemia.
- A Chikungunya também deve ter aumento no número de casos, com 90 mil projetados.


