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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Educação

Educação inclusiva avança, mas desafios persistem no Brasil

Estudo revela progresso na aprendizagem de alunos com deficiência, mas disparidades ainda são evidentes.

Educação inclusiva avança, mas desafios persistem no Brasil
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Educação

A educação para crianças e adolescentes com deficiência no Brasil apresentou avanços significativos entre 2013 e 2023, conforme aponta um novo estudo realizado pelo Instituto Rodrigo Lemos (IRL) em parceria com a Fundação Lemann e o Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). A pesquisa, que utilizou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), indica uma diminuição na diferença de aprendizagem entre alunos da educação especial e aqueles da educação regular, especialmente no 5º ano do ensino fundamental.

Os dados mostram que, em 2023, 44,5% dos alunos da educação especial alcançaram notas satisfatórias em português, um aumento significativo em relação aos 20,7% registrados em 2013. Para os alunos da educação regular, o crescimento foi de 40,9% para 55,9%. Assim, a diferença entre os grupos caiu de 20,2 para 11,4 pontos percentuais.

Desempenho em Matemática e Anos Finais

Em matemática, o panorama também é positivo, com um aumento de 16,9% para 33,9% de alunos da educação especial com notas adequadas. No entanto, os estudantes da educação regular apresentaram um crescimento de 35,6% para 44,3% no mesmo período, reduzindo a diferença de 18,7 para 10,4 pontos percentuais.

Apesar dos progressos no 5º ano, os dados indicam que a situação nos anos finais da educação básica ainda é preocupante. No 9º ano, a aprendizagem adequada em português para alunos da educação especial subiu de 11,9% em 2013 para 18,8% em 2023, enquanto para os demais alunos, o percentual foi de 24,3% para 36,8%. No 3º ano do ensino médio, a situação é alarmante, com apenas 3,2% dos alunos da educação especial alcançando notas satisfatórias em matemática, um crescimento mínimo em relação aos 2,9% de 2017.

Desafios da Educação Especial

A autora do estudo, Maria Laura Gomes, ressalta que, embora o relatório ajude a entender a evolução da educação especial, ele não reflete as desigualdades enfrentadas pelos alunos que abandonam a escola. Além disso, a pesquisa aponta para a necessidade de investimento em formação de professores e na melhoria da acessibilidade nas escolas.

Atualmente, apenas 6,4% dos docentes possuem formação continuada em educação especial, e cerca de 25% das escolas brasileiras não oferecem estrutura acessível. Segundo Gomes, é fundamental que as instituições educativas sejam preparadas para receber todos os alunos, independentemente de suas necessidades.

Exemplos de Inclusão na Prática

A cidade de Gado Bravo, na Paraíba, se destaca como um exemplo positivo de inclusão. Com uma população significativa de surdos, a secretaria de Educação local criou uma coordenação específica para a educação inclusiva, promovendo identificação e suporte aos alunos com deficiência. A secretária de Educação, Maria José da Conceição, menciona que a participação de todos os estudantes no Saeb é uma prioridade e que o acompanhamento das famílias é essencial para o sucesso educacional das crianças com deficiência.

Os dados mostram que a participação de alunos da educação especial no Saeb aumentou de 61,6% para 74,4% entre 2013 e 2023 para o 5º ano, e de 65,7% para 76,1% no 9º ano. Entretanto, ainda existem desafios significativos a serem superados para garantir que todos os alunos tenham acesso à educação de qualidade.

O que se sabe até agora

  • A aprendizagem de alunos com deficiência no Brasil melhorou entre 2013 e 2023.
  • Diferenças entre educação especial e regular diminuíram no 5º ano, mas persistem nos anos finais.
  • Desafios como a formação de professores e acessibilidade ainda precisam ser enfrentados.
  • Gado Bravo é um exemplo de inclusão efetiva na educação.

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