Pular para o conteúdo
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Publicidade
Política

Proposta do Centrão busca mudança no sistema eleitoral brasileiro

Lideranças da Câmara dos Deputados pretendem implantar o voto distrital misto em 2026.

Proposta do Centrão busca mudança no sistema eleitoral brasileiro
Foto: Reprodução / Agência Brasil — Política

Três dias após o segundo turno das eleições, lideranças de partidos do Centrão na Câmara dos Deputados apresentaram uma proposta para implementar o voto distrital misto nas eleições para as casas legislativas, exceto o Senado. Essa mudança representa uma alteração significativa no atual sistema proporcional de votação utilizado para eleger deputados em todo o Brasil.

Atualmente, os brasileiros elegem deputados federais, estaduais, distritais e vereadores através do sistema proporcional, diferentemente do Senado, que utiliza o sistema majoritário. A proposta de Emenda à Constituição (PEC), liderada pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e apoiada por partidos como PP, PSD, União Brasil, Podemos e PSB, visa aprovar essa mudança ainda neste ano. O novo sistema teria uma regra de transição para as eleições de 2030, sendo totalmente implementado nas eleições de 2034.

Entendendo o sistema proporcional atual

No sistema proporcional, o eleitor pode votar tanto em candidatos quanto em partidos. As vagas são preenchidas com base no quociente eleitoral, que é calculado dividindo o número total de votos válidos pela quantidade de cadeiras disponíveis. Por exemplo, se uma assembleia tem 100 vagas e há 1 milhão de votos válidos, o quociente eleitoral será 10 mil. Portanto, se um partido recebe 50 mil votos, ele terá direito a cinco cadeiras, permitindo que os cinco candidatos mais bem votados dentro da legenda sejam eleitos.

Um exemplo prático ilustra essa dinâmica: um candidato fictício, João, pode ser eleito com 5 mil votos em um partido que conquistou cinco cadeiras, enquanto um outro candidato, José, com 6 mil votos em um partido que só ganhou duas cadeiras, não será eleito. Isso ocorre porque o sistema foi concebido para favorecer os programas partidários em vez das candidaturas individuais.

Proposta do voto distrital misto

O novo modelo sugerido pelos partidos do Centrão seria baseado em dois sistemas distintos. Para uma assembleia hipotética com 100 cadeiras, 50 seriam eleitas pelo sistema distrital e as outras 50 por lista partidária fechada. Cada eleitor teria direito a dois votos: um para o candidato distrital e outro para o partido.

No sistema distrital, as unidades da federação seriam divididas em distritos, onde apenas o candidato mais votado em cada um seria eleito. No entanto, isso levanta preocupações sobre a representação de minorias, já que os votos em candidatos derrotados não seriam aproveitados para o cálculo do quociente eleitoral. Além disso, a definição dos limites dos distritos ainda não é clara, o que poderia levar a práticas de manipulação eleitoral, como o gerrymandering, comum em outros países.

Críticas e defesas ao novo modelo

As críticas ao sistema distrital incluem a possibilidade de marginalização de votos de grupos minoritários e a falta de clareza sobre a delimitação dos distritos. Por outro lado, os defensores argumentam que a proposta pode reduzir os custos das campanhas e promover uma maior proximidade entre eleitores e seus representantes.

Além disso, o modelo de lista partidária fechada proposto implica que os partidos definiriam a ordem de seus candidatos, o que poderia fortalecer ainda mais as lideranças partidárias. Nesse sistema, o eleitor vota no partido e não em um candidato específico, o que pode ser visto como uma forma de garantir que os programas partidários sejam priorizados.

O que se sabe até agora

  • Lideranças do Centrão na Câmara propuseram o voto distrital misto.
  • A mudança visa substituir o sistema proporcional vigente.
  • A proposta pode ser aprovada ainda em 2026, com implementação gradual até 2034.
  • Críticas e defesas sobre o novo modelo estão em debate entre os partidos.

Galeria de fotos

Leia também em Política

Ver tudo