Portugal enfrenta um crescente movimento de protesto relacionado à crise habitacional, que começou na cidade do Porto há três semanas e se espalhou para Lisboa. As manifestações, que incluem a ocupação de praças, surgem como resposta ao aumento acentuado do custo de vida, especialmente dos aluguéis e imóveis.
Os manifestantes, que montaram acampamentos em áreas públicas, como a Praça do Rossio, têm enfrentado a reação da polícia, que realizou operações para desmontar os acampamentos, alegando ilegalidade. Apesar das intervenções policiais, os protestos continuam, com as tendas sendo remontadas após cada ação da polícia.
No último fim de semana, um tribunal em Lisboa autorizou a permanência dos acampamentos na Praça do Rossio até o dia 24 de novembro. A situação gerou preocupação entre comerciantes locais, que temem pelos impactos no comércio, especialmente com a aproximação de um mercado de Natal programado para a mesma praça.
Impacto do aumento dos preços
Segundo dados do portal Pordata, o custo da habitação em Portugal aumentou 41,5% entre 2020 e 2025, o maior crescimento da União Europeia. A média de aumento na UE foi de apenas 3,2% no mesmo período. Em Lisboa, o aluguel de um imóvel consome, em média, 116% do salário médio, tornando a habitação praticamente inacessível para muitos.
Priscila Valadão, ativista e cidadã portuguesa, relata sua experiência com os altos preços do aluguel. Ela observa que é difícil encontrar apartamentos acessíveis na capital, onde os valores podem ultrapassar 1.500 euros, enquanto o salário mínimo é de apenas 920 euros. Essa realidade força muitos a dividir residências ou buscar moradia em áreas periféricas.
Demandas dos manifestantes
Os participantes dos protestos exigem medidas para combater a especulação imobiliária, que é atribuída, em parte, a investimentos estrangeiros e à conversão de imóveis em hospedagens temporárias. Priscila destaca que muitos brasileiros enfrentam discriminação ao buscar moradia, com relatos de proprietários que se recusam a alugar para imigrantes.
Entre as demandas está a criação de uma legislação mais favorável aos inquilinos, incluindo restrições à compra de imóveis por fundos imobiliários e a ampliação da oferta de habitação pública. Os manifestantes também criticam propostas de novas leis de arrendamento que podem dificultar ainda mais o acesso à moradia.
O governo português, sob a liderança do primeiro-ministro Luís Montenegro, anunciou um plano de investimento de 10 bilhões de euros para habitação pública, com a construção de 133 mil residências. Montenegro enfatizou a necessidade de um equilíbrio que beneficie tanto proprietários quanto inquilinos, prometendo reformas para resolver a crise habitacional.
O que se sabe até agora
- Protestos por moradia se intensificam em Portugal, especialmente em Lisboa e Porto.
- O custo da habitação subiu 41,5% entre 2020 e 2025, impactando o acesso à moradia.
- Ativistas exigem medidas contra a especulação imobiliária e melhorias nas leis de arrendamento.
- O governo planeja investir 10 bilhões de euros em habitação pública nos próximos anos.


